sábado, 6 de fevereiro de 2016

Azul

Nos dias azuis sorria
À noite chorava
Com medo que acabassem
Mas eles não paravam
Vieram senhoras de longe
Somente para chorar
Xô aves de agouro
Pra longe procurar
Carcaças para mastigar



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Quartos e terceiros

Dos quartos escuros, daqueles que todos disseram desconhecer ou nunca ter visitado, pode alguma vez brotar uma luz. Essa não tem nada a ver com a outra do final do túnel.
Ela provém depois do mergulho voluntário  no poço de si mesmo,  quando o coro forte estéril repete -  "do fundo não passa".
Perpassa-se a lama e se vai ao lodo submerso intimo,  onde prostitutas, gigolos, miches,  traficantes e ladrões são santos.
Nesse mundo a estética académica foi carcomida pelos ratos, vermes e percevejos. Sobraram Frankensteins baratos, corcundas rastejantes, bruxas esquálidas e vampiros amarelos batizados por hepatites.
Escoa-se pelo ralo o pouco de pudor do inabitável ser e topoi revisitados pela perspectiva in locu. Depurada dos confetes e lantejoulas dos prefácios e laudatórias condutores de cérebros adestrados.
Calado locomove-se no breu da própria existência chula e lá se contempla e se horripila, diante da imagem estilhaçada da máscara no espelho.
Nem Alice ou Narciso habitam ali,  apenas seres do subterrâneo, multiformes, mutantes e transformados, adaptados ao caldo da lama humana.