E se
eu não largar o velho, como o íntimo ou o original pode vir? Não, não estava
pensando em Jesus, Allah, nem tampouco em qualquer deus ou divindade. Estava
pensando em como poderia parar de repetir tantas verdades perfeitas, todas sem
exceção, donas absolutas da verdade. Aquelas que nos deparamos repetindo
mentalmente, sem sequer questionar, como papagaios que têm uma longa memória
para poucas sentenças.
Outro
dia um desconhecido, no meio da calçada, enquanto manobrava com a bicicleta
cuidadosamente, disse-me, sorrindo, “Bom dia!” e, surpreendido por raríssima
espontaneidade, sorri e respondi. Sai daquele momento pensando que aquele
sujeito, de quem nem me lembro o rosto e provavelmente nunca mais vá encontrar,
estava de “bem com a vida”.
Continuei
matutando alguns segundos, mas, enfim, tinha via disponível para pedalar e
montei seguindo de volta para casa.
Lembro
apenas, que cheguei à conclusão apressada de que a vida tem muitas perspectivas
ou janelas, depende de qual ou em qual se quer posicionar, e por quantas se
passa até adotar uma “definitiva”’.
Talvez, penso
agora, ele não se tenha paralisado na contemplação da automatização das
relações, tipo, robô. E, não se sabe se a janela escolhida é a permanente, se é
que se pode afirmar isso, quando a rotação, a translação e tudo no mundo nos
precede.