quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Volatizar

Sinto-me culpado e condenado
Por perceber tanta beleza
Onde veem só dor e morte
Esse presente atávico pesa
Ter as portas abertas ao mundo
Ao meu eu lá do íntimo
Perdido, escondido, fundo
A profundidade não cala
E o vento para de soprar em mim
Penso em ti e basta
Como o canto do pássaro ao lado
E a dor lancinante se foi

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Projetos sombras

A sombra da árvore, da projeção
Da luz que divide ou projeta
Corpos às paredes, ao chão
Ao céu e a outros objetos
Ou até ao movimento
Sempre gostei da penumbra
Do lusco-fusco,  da camuflagem
Do clandestino, do contrabando
Do breu, do inovador
Da rotunda, d o bastidor
Da audácia tão rara
Em campos de pastores
O gado triste mastiga
As raras pastagens
Como em outras estiagens,
A batata-doce complementar
À ração da bicharada
Selara a fome, como dizem
Seja lá o que isso signifique
A mão do deus invisível
Soa a trombeta em algum pais
Longe, distante e nórdico
Berço da sabedoria padronizada Anunciará boa-nova ao mundo
Todos serão felizes pra sempre
Como no conto de fadas padrão


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Ancora

Estar seguro é uma piada
Tanto perigosa quanto insana
Navego por mares estranhos
A mim, não para os outros
Que surgem quando os olho
Eles parecem querer se apoderar
Daquilo que restou no fim

domingo, 9 de agosto de 2015

Ontem

Desembarquei em agosto da suposta nave do conhecimento e me detive nada sabendo do que ocorria aqui dentro o que se dirá do lado de fora. A interação com o presente ficou distante e rude por frações de milésimos e pareceu eterno. Preciso entrar na esfera da sociabilidade. E o meu amanhecer era vermelho como os poentes de verão e eu chorei cada dia que passava, pois cada um prenunciava o seu término. Os dias passariam a ser outras estações e me detive refém dessa realidade obscena, despudorada e proibida. A realidade era destilada em sótãos escuros e empoeirados e eu não pertencia a mim, mas ao menino curioso, irrequieto e inquieto que me habitava.


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Soneto do ocaso

Eu vi a morte, eu estava vivo
E não posso esquecer a vida
E quanto aquela nos empurra
Pra outra margem do rio

A Ceifadeira passou no leito
Próximo ao meu, mas não estava
Resolvi dar uma folga ao colchão
E quando ela quis me acordar

Eu não estava lá, frustrada
Ela não quis voltar de mãos
Ou melhor, com a cova vazia

Pegou o primeiro ao lado
Assim partiu meu companheiro
Minha familia nos últimos meses

terça-feira, 21 de julho de 2015

Raio de sol

           Para meu amigo Denis Rocha




Eu não lembro datas, dias, meses
Sequer anos algumas vezes
Minha ascendência desconhece
Tempo e essa grade horária
Lembro do Raio de Sol
De estradas íngremes
Sacolejos, sorrisos e descobertas
Da canção improvisada
Que você disse, bondoso, ser
Somente lembro desse dia
Esse dia você nasceu
Em minha vida, seja qual for
Parabéns todos os dias
Depois continuamos a nos ver
Conheci sua família e amigos
Descobri a benção dos dias
Que chegam até hoje, felizes
Seja qual for o dia, não importa
A minha vida conhece o agora
O passado morre todos os dias
E o futuro pode não nascer
Importante é que esteja aqui
Comigo, com os seus e a sua
Obrigado por estar em minha vida


segunda-feira, 13 de julho de 2015

Muriqui

Prenunciei o verbo errado
Futuro do presente
Quando nem o último
Percebe-se consolidado
O outro é desconhecido
Em sua concepção imagética
Quanto mais filosófica
Quando o índio entrou na facul
Achou curiosa constelação
Terrestre aos montes
Poucas estrelas se viam
O brilho dos títulos
Mestres, doutores, socorro
Ofuscava minha visão
Aprendi o óbvio
E lembrei dos conceitos
Sobre os cara-pálidas
Depois era só repetir
Até parecer verdade

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Amortizar

Estar na sintonia do amor
Não exige experiência ou pudor
A entrega é obrigatoria
Do contrário somente fagulha
Explodem as ilustres certezas
Faz-se tornar servo
Quem se julgava senhor
Vai minando o solo
Diversas falhas geológicas
Foram invadindo o meio
Que se tornou fim em si
Sem princípio somente
A longa treva conjugada longe
Nem sei os caminhos onde resto

sábado, 20 de junho de 2015

Viver

Só quem excursionou pelo inferno
De Dante ou de outro
Sabe reconhecer o paraíso
Próprio do sentimento de amar
Ele chega devagar, fica um dia
Abstem-se um ou dois
Mas sempre vem à lembrança
Amar é conjugar o verbo êxtase
Todos os dias a cada segundo
É tornar uma cena de ciúme
Ou talvez possessão
Em motivo de piada e riso
É sentir a firmeza do porto
Enquanto o mundo desaba
E o mar está revolto
Amar é droga, remédio natural
E se repetir três vezes, mantra

domingo, 14 de junho de 2015

Contra-ponto

Subtraio os intervalos do vacuo
As vezes deixo algo me habitar
O laboratorio nao e a prova de vida
Sinto as heras abraçarem o corpo
Que as vezes habito em desespero
Na fusao de bocas ofegantes
Que urgentemente se fundem

domingo, 7 de junho de 2015

Piegai-vos

A fortuna me presenteia com a plenitude de estar e mim e no mundo por instantes, imerso e nao disperso. A estranha segurança de segurar o cetro do mundo, sem a visita pontual de totalidade absurda ligada a devaneios que associam poder com destruiçao e força.
Ter poder e estar no meio da massa cosmica, perceber por fraçoes os mecanismos e extasiar-se com o que se ve, como extensao do Cosmos e criaçao maxima.
Ter poder e regizijar-se com a plenitude dos tropeços e sacolejos e as vezes um belo cenario chamado mundo. O mais importante, nao ter medo de ser piegas, que as vezes, nos torna humanos.

domingo, 31 de maio de 2015

Os gafanhotos me perseguem hoje,   incomum numa megalopole e o segundo pelo dia igual,consecutivo. Fez-me lembrar dos primeiros que catava em gramado de instituiçao infantil na qual passava todo ou parte do dia, lembro apenas que era uma das ultimas crianças a irem embora. Lembro dos periodos de recreaçao solitaria e que conversava com alguem real ou imaginario, nao sei, mas era raro, por isso nao lembro se menino ou menina. Talvez fosse em periodo em que mal se diz o nome e juntar os dedos certos para dizer a idade era um prodigio, o que pensar da noçao de tempo, nosso carcereiro.
   Onde esta o gafanhoto mesmo, o do presente? Localizei-o ainda proximo do facho do quebra-luz improvisado, lanterna de led na parede apontando o teto. Vejo as patas longas verdes e flexiveis como haste de flor do campo, dobram-se sobre si e abraçam o corpo alado.
   Agora acho que habita o breu da sombra da noite escurecida pela falta de brilho da vida, a escuridao se cobre de varios tons vazios e vadios, tavez sombrios como os penhascos que o ser humano insiste em se autoflagelar.
   Agora ele volta ao centro do palco luminoso, escala lento a parede branca que projeta a sombra diante de si e caminha lento, volta-se para o holofote, cuidadoso, congela, permanece catatonico, sai do transe e vira as costas tranquilo para o arremedo do dia e o seu deboche.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Infância do amor

Tenho saudade do trigésimo andar
Quando nossas vontades eram aladas
Num friso emprestado, externo
Além da abertura da janela, engatinhávamos
Nos vãos dos deslizes do arquiteto
E eu emprestava minha armadura
Contemporânea com muitos raios
Que rasgavam minhas pernas
Os músculos avançavam no movimento
Eu emprestava um outro olhar
Estranho ao meu nesse universo polar
Difícil separar a fantasia do mundo
Eu tento as vezes me livrar da infância
Mas sinto que a tardia é tempestiva 

sábado, 16 de maio de 2015

fico remoendo gotas de felicidade
espargidas ao vento as colhi
doces, magras, filetes estilhacados
consegui. um pouco ver, sentir
aprendo e abri um novo vestibulo
que nao sei onde vai dar ou acabar
escrevo com as palavras de ontem
aquilo que ainda sinto hoje
e ele distante de. se extinguir
 o hoje tem tempo de redesenhar
o rabisco e rascunho afastam a lei
o do passado ainda vivo hoje
assim recordo por todos os dias

domingo, 3 de maio de 2015

Eravamo

Falou em nós pela primeira vez
Achei singular e estranho
O ouvido despertou para esse som
Antes conhecia só eu e você
Fiquei feliz por instantes
Como pessoa que abre envelope
De conteúdo instantâneo
Consome-o e esquece
Embalagem no cesto de lixo
Por mais colorida que fosse
Apos vinte dias parecia namoro
Estranho ao meio século de vida
Ainda mais depois de tanto nada
Do indefinido, do provisório
Andamos por ruas comuns
Saindo do nicho do bairro
Parecia celebração de vida
Em gotas espargidas nos dois
Lembro do so Ristori e Removal
Histórias de alcova ventenne
Pessoas imaginárias como ambos



sábado, 2 de maio de 2015

Sombras

vejo o corpo do trem serpentear
e para o espectador sentado
e um enorme corredor de assentos
cinza alguns, outros vermehos
ele na sua sinuosidade, aperta
as vezes parece alargar nas curvas
e novamente estreita
passada a curva maior
o vagao desliza suave
a cada estaçao da vida
vazio de gente, preenche de sonhos comum e acontecer o contrario
que resulta em fato lamentavel
nesse caso a ordem dos fatores
falsifica as copias certificadas
tao dificil ver tudo isso e continuar
com sorriso diplomatico
como escarnio ou vomito
nesse grande lixao da esfera
esbarrei um dia em gama de Huxley
em uma das estaçoes-industria
reconheci-o imediatamente e sorri
vendo-me no passado em imagem
a vida espelho de nos mesmos
uns do presente uns do passado
muitos se deseja transfigurar

sábado, 25 de abril de 2015

Pedrinho

A vida continua
impulsiona a roda
as vezes semeia
outras ceifa
terreno fertil
solo arenoso
chao esteril
surge entre rochas
viadutos e espinhos
asfalto ou rachadura
ela e assim mesmo
pelo vento, esperma
semente, polen
ovo, flor, vibriao
broto, flor, no amor
na dor e calor
segue o ciclo
vai plantando
contagia e procria
em cada novo rosto
em caca dia
sol de poesia
ontem veio mais uma
esperada, amada
ja comentada
ontem veio o Pedro.
A vida continua
impulsiona a roda
as vezes semeia
outras ceifa
terreno fertil
solo arenoso
chao esteril
surge entre rochas
viadutos e espinhos
asfalto ou rachadura
ela e assim mesmo
pelo vento, esperma
semente, polen
ovo, flor, vibriao
broto, flor, no amor
na dor e calor
segue o ciclo
vai plantando
ontagia e procria
em cada novo rosto
em caca dia
sol de poesia
ontem veio m
mais uma

domingo, 19 de abril de 2015

SP

Nao consigo mais viver sem aquela  que aprendi a gostar desde criancinha, mesmo sem a ter visto. E a pressa de dizer tudo rapido, esbaforido, como se fosse perder o trem das onze do Adoniran nao da tempo, ponto, nem pausa dois pontos, virgula, travessao se desconhece como se as palavras paridas por ai fossem escapar por bueiro caindo no Tiete ou Pinheiros, se afogando em intensidade. Enfim as vezes se da um respiro e se percebe este ser vivo que nos envolve e abraça nessa camisa de força viva e nesse sanatario ao ar livre, entre iguais nao nos disfarçamos e nao nos percebemos, no ceu plumbeo comum de cada dia entre bilhoes de particulas de dioxido de carbono as vezes vivo, mais raramente respiro. Inalo muitas coisas diferentes de ar, talvez seja camara de gas do Hitler, disfarçada, como os prisioneiros daquele ja tomando agua fluorada para acalmar e levar tudo 'de boa'.
Coisas de amor bandido, louco, desmedido como aquele estranho amor, tudo que odeia e rejeitado, acho que esta e Sao Paulo.

sábado, 18 de abril de 2015

Pais

Nem aguas de março
Nem chuva de verao
Ou mudança de estaçao
Nem o frio de abril outrora pontual
Passagens corriqueiras
O que conta e o que permanece
Como memoria, vivencia e amor
Dores, alegrias e saudade sem fim
Marca daqueles que se foram
Pra onde nao importa,
Mas nao se ve, so se sente
Que ainda existe em nos
Como o ar, o. calor e a fe

sábado, 4 de abril de 2015

Voos

Do trigresimo segundo andar
Era melhor porque via o Othon
A sua piscina lotada vista do Copan
E pensava seriamente ser deus
Prisioneiro de megalomania
Construida nas alturas e frisos
Externos do predio, onde rastejava
Entre o vao da janela e a varanda
Tao imaginaria,  mas concreta
Como a queda esfacelante
Se houvesse mas louco guiava-me
E devoto desse anjo decaido
Tornei-me quando o vi subir
Tres andares sem esbaforir
Com sua formosura e elegancia
Divinas mas com lama nas vestes
Essa antitese na representaçao
Me fascinava como a ebrio
Fascinado demais pela cor
Quando as tardes eram azuis
Hoje lembro das bossais figuras
Imagens carcomidas pelo tempo
Exagerei no tom das cores
Elas borram como as cinzas
Que se jogam ao mar e vento
Oitavos andares fasciam mais
Mais proximos do chao
Voos mais curtos, quedas menores


quinta-feira, 19 de março de 2015

Parques

Passeava pela manha no parque
Nele vi e ainda vejo coisas belas
Nao e uma janela para o mundo
Mas e tambem por onde o vejo
Passarela de vaidades, corpos
Beijos, namoros, cachorros
Roubos, skates, bikes
Seres instantaneos no microondas
Pedintes, moradores de rua
Malandros em cada canto
E os oficiais uniformizados
Todos contentes em ser smith
Depois de tantos veroes
Parques sao palcos de espetaculos
Belos, singelos e horrendos
Rio, chorro, corro e inauguro
O novo vestido de velho, reverso

segunda-feira, 9 de março de 2015

mulheres guerreiras

nas tardes de modorra e languidez
ouço voz reprovatoria ao longe
fujo de ecos milenares esgotados
cantados, trovados, versificados
amaldiçoados pelo humano
nao quero ouvir musa bebada
nem esculpida pela pedra
vai medeia de mil cabeças
afrodite condenou aracnes
por ter beleza preterida por mortal
helena fugiu do seu rei
pela eleiçao do amor de paris
sendo aranha poetizou suas tramas
nunca pensou em mortalha
como a outra prisioneira penelope
digna segue na tecelagem da vida
nem moira, fada ou bruxa
a pequena deusa acordou um dia
continuou o que fazia de melhor
trançar, tramar, rodar e amar
na demencia de uma era morta
e ao longe os caes rigozijam-se
com os restos colhidos da estrada

sábado, 7 de março de 2015

bicholandia

eu soltava meus bichos a tarde
eram esquisitos como a matrix
vinham em manadas desfilar
nas ciclofaixas pintadas
eram de todas as cores
falavam diversos idiomas
tinham varios governos
em eventos se uniam em bandos
nao tinham ideologia mas genotipo
estava junto ora pastor.ora gado
nesse rebanho maleavel
que se cruzava entre si
coices aqui e chifradas aladas
cutucavam o couro vivo
dos sapatos cintos, bolsas
mas o meu nao tinha valor
no fundo ficava feliz
por nada valer em um mundo
com valores falsos e.invertidos
sentia-me livre e a merce, do porvir
ia indo e vindo. sem destino
embora. o preceito burgues
ainda incomodasse como sino
nas manhas tardes e refeiçoes
pergunta sobre a origem de tudo
trabalho suor .mais valia
a gratuidade de tudo e o custo

bicholandia

eu soltava meus bichos a tarde
eram esquisitos como a matrix
vinham em manadas desfilar
nas ciclofaixas pintadas
eram de todas as cores
falavam diversos idiomas
tinham varios governos
em eventos se uniam em bandos
nao tinham ideologia mas genotipo
estava junto ora pastor.ora gado
nesse rebanho maleavel
que se cruzava entre si
coices aqui e chifradas aladas
cutucavam o couro vivo
dos sapatos cintos, bolsas
mas o meu nao tinha valor
no fundo ficava feliz
por nada valer em um mundo
com valores falsos e.invertidos
sentia-me livre e a merce, do porvir
ia indo e vindo sem destino
embora o preceito burgues
ainda incomodasse como sino
nas manhas tardes e refeiçoes
pergunta sobre a origem de tudo
trabalho suor mais valia
a gratuidade de tudo e o custo

sábado, 28 de fevereiro de 2015

caixa

decidi nao fazer as coisas se nao estiver imbuido de extase, prazer e totalidade de entrega naquele momento da feitura do ato ao contrario apesar de parecer tanto atitude hedonista e uma exigencia um pouco mais ampla que engloba o outro e o expande para o louvor de cada segundo no qual se expande e expressa a mais alta capacidade de amar o nada e o porvir sem que se inebrie os sentidos mas apenas o coraçao e a explosao de energia no momento da criaçao que perpassa a coluna vertebral e se expande em explosoes de sensaçoes que percorrem a coluna da vida ate o apice na caixa de ressonancia como se o prisioneiro quisesse sair da caixa

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Entreposto

o meu assombro se mostra na madrugsda de 26 graus em que insone caminho pela noite vou a estacao ver os ultimos passageiros e depois ela vazia exceto pelos moradores dela conheco a cada um deles menos a mim e vou seguindo esse incognito trilho em que uso palavras para anortecer a visao do desolamento em que sou cumprimentado pelo capo da rua suspiro aliviado e caminho pela cruzeiro tranquilo para casa. onde mais uma vez respiro para mais tarde longamente suspirar nesse entremeio entre vida e morte

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Pensava que existia

Pensava que pensava era esse o problema
Rebobinava a maquininha de pensamentos decorados
As santas, sempre estiveram em seu caminho
Como se isso fosse mudar algum destino
Elas são aos milhares ou mais ele não sabe
Apenas tem a impressão de em vez de passar
Ao largo dessa imagética construída
Pela argamassa da mentira institucional
Na verdade imerso nesse oceano está faz anos
E essa percepção final do seio e do enlaço
Num laço forte e confortável sob certas regras
Faz cegar a bandos, multidões e aldeias
E na repetição da informação muitos detalhes crescem
Assim se constrói bola de neve em país tropical

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Solto

Não gosto da palavra pertencimento
Alienação dos médios
Instruídos pelas mídias
Pensei nisso ao lembrar do pet
Não gosto de associá-lo a posse
Ele está nas lembranças e vivências
Mais caras e raras entre os vivos
Sim encontro milhões de cadáveres
Todos os dias, mas eles não sabem
Eles andam nos mais diversos meios
E se cobrem dos mais variados luxos
Para disfarçar a fetidez da decomposição
Afora, sou abençoado pela rinite
E passo bem, obrigado, não sinto cheiros
Não quero e não vou permitir
Que meus sentimentos e afetos
Abriguem-se sob essa redoma
Estúpida, nérdica - néscia
Mas preciso sorrir, não pela mediação novamente
Mas porque simplesmente o mundo abre-se ao fazê-lo