Não gosto de três quintos,
Mas de cinco terços
Do seu beijo quente
Porque é direito, reto
Meigo, carinhoso
E o amor não limitado
Não se conhece partes
Somente dobros e triplos
É múltiplo, épico
Sincero, intenso
Robusto como o tempo
Livre, leve e alegre
No sorriso infantil
Em semblante de homem
Te amo ainda mais
sábado, 5 de novembro de 2016
terça-feira, 20 de setembro de 2016
Guarani
Algumas vezes paro meu canto para não enlouquecer. Não afogar- me nos refluxos de ondas e marés ao longo do dia. O vento sopra gelado e traz a lembrança da maresia, de quando os gens atravessavam o mar em busca de fertilidade e magias. Eu ainda não existia, mas sinto o vento fustigar minhas faces, gelado, inclemente e constante. Sou a vela das naves que insuflada incha, expande, avança e arrebenta nos ais do território.
quinta-feira, 2 de junho de 2016
Adan Sales
Estou no meu undécimo velório e acompanho o cortejo, espero o coveiro usar a pá no seu primeiro de vários movimentos e saio, pois não espero condolências. Desmembro-me sob incontáveis fragmentos, varro a poeira para outra coletora e jogo ao vento. Como se o ritual pudesse devolver ao universo o elementar de si mesmo e reconstituir a ordem do mundo.
Assim, Adan Sales foi descendo o longo declive, que horas antes havia escalado com temperatura mais baixa em torno de dez graus. Esses pensamentos e outros de mais forte convicção o acompanhavam sobre as modificações em seu cotidiano, muito além do simples retoque ou reforma.
O novo desafio seria dizer para si mesmo que ainda teria esperança quando o horizonte dizia o contrário, que cúmulos adensavam-se ao sul-sudeste de onde sempre vem a catástrofe natural.
Trancorridos minutos dessa reflexão margeou o arvoredo atravessado pelos raios solares que ainda fazia vapores de orvalho remanescente elevar discreta névoa.
Os dias foram avançando e fez dessa reflexão o mote de sua existência. Não se aprende nada, se imitam modelos prontos de infância, adolescência e juventude, mas o da longevidade, da velhice e da possível senilidade, este manual ou tratado não está publicado porque mais uma vez descritos , tornam-se facilmente prescritivos.
Procura partes de si mesmo que deixou perdido em algum desmoronamento de épocas de verão, que assim percolado ficava difícil encontrá-lo em tantos ralos e bueiros os tais de Adan Sales.
terça-feira, 15 de março de 2016
Παζ
A paz dos loucos surge depois de nenhuma conquista quando todas as supostas derrotas tiverem sido colocadas e retiradas dos ombros. Quando a brisa, o frio, o calor, o vento e a chuva caminharem no mesmo curso das utilidades e confortos do mundo físico e biológico e sejam, de fato, a melhor premiação em vida saudável.
Ela pode advir do conforto raro de noite bem dormida enquanto o mundo se estatela na noite.
E ela é sombria podendo ser longa.
A paz pode vir da aproximação e acareamento do selvagem e do docilizado. Entes recorrentes na cristalização de personalidades oriundas de planos de educação do pós Segunda Guerra para países emergentes, leia-se colonizados e com forte potencial genético suicida mesclado ao do colonizador.
Pode vir das batalhas milenares interclassistas diárias e inconscientes que aparecem como máscaras rudimentares que tentam (e muitas vezes conseguem) proporcionar o distanciamento de objetivos simples como aprender, amar e voltar para casa.
A paz pode vir da consciência de que as relações vieram inscritas no mundo com um forte teor arrivista sedimentado em odiosos preconceitos históricos sem embasamentos técnico-científico. E por isso, quando possível e detectável, interromper as réplicas do mundo agonizante, que não se sabe o que lhe fez mal, evitando turbulências desnecessárias seja a melhor ação, o não fazer.
E a paz pode vir do retorno do mergulho no inferno
- do latim, infero, inferior, de baixo. As profundezas do onto e suas implicações sócio- políticas no tempo e espaço.
A paz envolve disputas, desentendimentos, obstáculos e dificuldades. Guerras, conflitos, confrontos, bloqueios e invasões são frutos da errante caminho e ambições humanas. Fogos de artifício e minas de riquezas, os primeiros distração para ingénuos e beligerantes, a segunda ferramenta de captação de recursos, sobretudo minerais e hidrocarbonetos, além dos humanos.
A paz envolve a depuração daquilo que se apresenta porque o conhecido, o propalado e jogado aos ventos soa tão débil e frágil como verdades perfeitas e eternas.
Ela pode advir do conforto raro de noite bem dormida enquanto o mundo se estatela na noite.
E ela é sombria podendo ser longa.
A paz pode vir da aproximação e acareamento do selvagem e do docilizado. Entes recorrentes na cristalização de personalidades oriundas de planos de educação do pós Segunda Guerra para países emergentes, leia-se colonizados e com forte potencial genético suicida mesclado ao do colonizador.
Pode vir das batalhas milenares interclassistas diárias e inconscientes que aparecem como máscaras rudimentares que tentam (e muitas vezes conseguem) proporcionar o distanciamento de objetivos simples como aprender, amar e voltar para casa.
A paz pode vir da consciência de que as relações vieram inscritas no mundo com um forte teor arrivista sedimentado em odiosos preconceitos históricos sem embasamentos técnico-científico. E por isso, quando possível e detectável, interromper as réplicas do mundo agonizante, que não se sabe o que lhe fez mal, evitando turbulências desnecessárias seja a melhor ação, o não fazer.
E a paz pode vir do retorno do mergulho no inferno
- do latim, infero, inferior, de baixo. As profundezas do onto e suas implicações sócio- políticas no tempo e espaço.
A paz envolve disputas, desentendimentos, obstáculos e dificuldades. Guerras, conflitos, confrontos, bloqueios e invasões são frutos da errante caminho e ambições humanas. Fogos de artifício e minas de riquezas, os primeiros distração para ingénuos e beligerantes, a segunda ferramenta de captação de recursos, sobretudo minerais e hidrocarbonetos, além dos humanos.
A paz envolve a depuração daquilo que se apresenta porque o conhecido, o propalado e jogado aos ventos soa tão débil e frágil como verdades perfeitas e eternas.
sábado, 12 de março de 2016
Πορκωζ
Pensando na porcologia social
Uns se esforçam em ser porcos
Outros almejam ser doutor
Dura lex sed lex erga omnis
Data venia isto posto
Chafurdo no meu quintal
Meu nariz interruptor
Roinc, roinc, roinc, roinc
Tenho muito a dizer
Roinc, roinc, roinc
Uns se esforçam em ser porcos
Outros almejam ser doutor
Dura lex sed lex erga omnis
Data venia isto posto
Chafurdo no meu quintal
Meu nariz interruptor
Roinc, roinc, roinc, roinc
Tenho muito a dizer
Roinc, roinc, roinc
sábado, 6 de fevereiro de 2016
Azul
Nos dias azuis sorria
À noite chorava
Com medo que acabassem
Mas eles não paravam
Vieram senhoras de longe
Somente para chorar
Xô aves de agouro
Pra longe procurar
Carcaças para mastigar
À noite chorava
Com medo que acabassem
Mas eles não paravam
Vieram senhoras de longe
Somente para chorar
Xô aves de agouro
Pra longe procurar
Carcaças para mastigar
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
Quartos e terceiros
Dos quartos escuros, daqueles que todos disseram desconhecer ou nunca ter visitado, pode alguma vez brotar uma luz. Essa não tem nada a ver com a outra do final do túnel.
Ela provém depois do mergulho voluntário no poço de si mesmo, quando o coro forte estéril repete - "do fundo não passa".
Perpassa-se a lama e se vai ao lodo submerso intimo, onde prostitutas, gigolos, miches, traficantes e ladrões são santos.
Nesse mundo a estética académica foi carcomida pelos ratos, vermes e percevejos. Sobraram Frankensteins baratos, corcundas rastejantes, bruxas esquálidas e vampiros amarelos batizados por hepatites.
Escoa-se pelo ralo o pouco de pudor do inabitável ser e topoi revisitados pela perspectiva in locu. Depurada dos confetes e lantejoulas dos prefácios e laudatórias condutores de cérebros adestrados.
Calado locomove-se no breu da própria existência chula e lá se contempla e se horripila, diante da imagem estilhaçada da máscara no espelho.
Nem Alice ou Narciso habitam ali, apenas seres do subterrâneo, multiformes, mutantes e transformados, adaptados ao caldo da lama humana.
Ela provém depois do mergulho voluntário no poço de si mesmo, quando o coro forte estéril repete - "do fundo não passa".
Perpassa-se a lama e se vai ao lodo submerso intimo, onde prostitutas, gigolos, miches, traficantes e ladrões são santos.
Nesse mundo a estética académica foi carcomida pelos ratos, vermes e percevejos. Sobraram Frankensteins baratos, corcundas rastejantes, bruxas esquálidas e vampiros amarelos batizados por hepatites.
Escoa-se pelo ralo o pouco de pudor do inabitável ser e topoi revisitados pela perspectiva in locu. Depurada dos confetes e lantejoulas dos prefácios e laudatórias condutores de cérebros adestrados.
Calado locomove-se no breu da própria existência chula e lá se contempla e se horripila, diante da imagem estilhaçada da máscara no espelho.
Nem Alice ou Narciso habitam ali, apenas seres do subterrâneo, multiformes, mutantes e transformados, adaptados ao caldo da lama humana.
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