Cada momento é raro, precioso e, o simples ato de respirar é surpreendente e majestoso. Como cada elemento a partir da célula
consegue se articular com o meio e de um número incrível de mecanismos e
proteínas consegue realizar todas as atividades para nos tornarmos individuais
e autônomos.
Nesses tempos incertos quando milhares caem todos os dias e
que olhamos registros de poucos meses antes em vídeos, filmes e outros meios,
nos surpreendemos e nos perguntamos onde estão aquelas pessoas. Que mundo era
aquele tão longínquo e estranho, tão recente.
Tivemos não apenas que parar, mas olhar para a portinhola
que dá dentro da gente. Ver-se por inteiro, sem a desculpa da correria – ter
que ir trabalhar, buscar as crianças na escola, cursinho, faculdade, encontrar
amigos e familiares – e adentrar-se pode não ser agradável.
Podemos encontrar
nossos monstros e talvez lembrar de quando nasceram e porque eles foram
criados. Começamos na gênese como era e porque estou e esse deus arrogante
construído em certezas, em planilhas, planejamento, especulação e gestão
soçobra em pequena tempestade e agarra-se ao confinamento e isolamento social.
Voltamos à caverna e as luzes projetadas na parede são as dos
holofotes que insistimos em deixar acessos e quando se apagarem perderemos a
luz guia.
O mundo convulsiona porque foi alimentado com ganância e agora
regurgita a violência.