domingo, 31 de maio de 2015

Os gafanhotos me perseguem hoje,   incomum numa megalopole e o segundo pelo dia igual,consecutivo. Fez-me lembrar dos primeiros que catava em gramado de instituiçao infantil na qual passava todo ou parte do dia, lembro apenas que era uma das ultimas crianças a irem embora. Lembro dos periodos de recreaçao solitaria e que conversava com alguem real ou imaginario, nao sei, mas era raro, por isso nao lembro se menino ou menina. Talvez fosse em periodo em que mal se diz o nome e juntar os dedos certos para dizer a idade era um prodigio, o que pensar da noçao de tempo, nosso carcereiro.
   Onde esta o gafanhoto mesmo, o do presente? Localizei-o ainda proximo do facho do quebra-luz improvisado, lanterna de led na parede apontando o teto. Vejo as patas longas verdes e flexiveis como haste de flor do campo, dobram-se sobre si e abraçam o corpo alado.
   Agora acho que habita o breu da sombra da noite escurecida pela falta de brilho da vida, a escuridao se cobre de varios tons vazios e vadios, tavez sombrios como os penhascos que o ser humano insiste em se autoflagelar.
   Agora ele volta ao centro do palco luminoso, escala lento a parede branca que projeta a sombra diante de si e caminha lento, volta-se para o holofote, cuidadoso, congela, permanece catatonico, sai do transe e vira as costas tranquilo para o arremedo do dia e o seu deboche.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Infância do amor

Tenho saudade do trigésimo andar
Quando nossas vontades eram aladas
Num friso emprestado, externo
Além da abertura da janela, engatinhávamos
Nos vãos dos deslizes do arquiteto
E eu emprestava minha armadura
Contemporânea com muitos raios
Que rasgavam minhas pernas
Os músculos avançavam no movimento
Eu emprestava um outro olhar
Estranho ao meu nesse universo polar
Difícil separar a fantasia do mundo
Eu tento as vezes me livrar da infância
Mas sinto que a tardia é tempestiva 

sábado, 16 de maio de 2015

fico remoendo gotas de felicidade
espargidas ao vento as colhi
doces, magras, filetes estilhacados
consegui. um pouco ver, sentir
aprendo e abri um novo vestibulo
que nao sei onde vai dar ou acabar
escrevo com as palavras de ontem
aquilo que ainda sinto hoje
e ele distante de. se extinguir
 o hoje tem tempo de redesenhar
o rabisco e rascunho afastam a lei
o do passado ainda vivo hoje
assim recordo por todos os dias

domingo, 3 de maio de 2015

Eravamo

Falou em nós pela primeira vez
Achei singular e estranho
O ouvido despertou para esse som
Antes conhecia só eu e você
Fiquei feliz por instantes
Como pessoa que abre envelope
De conteúdo instantâneo
Consome-o e esquece
Embalagem no cesto de lixo
Por mais colorida que fosse
Apos vinte dias parecia namoro
Estranho ao meio século de vida
Ainda mais depois de tanto nada
Do indefinido, do provisório
Andamos por ruas comuns
Saindo do nicho do bairro
Parecia celebração de vida
Em gotas espargidas nos dois
Lembro do so Ristori e Removal
Histórias de alcova ventenne
Pessoas imaginárias como ambos



sábado, 2 de maio de 2015

Sombras

vejo o corpo do trem serpentear
e para o espectador sentado
e um enorme corredor de assentos
cinza alguns, outros vermehos
ele na sua sinuosidade, aperta
as vezes parece alargar nas curvas
e novamente estreita
passada a curva maior
o vagao desliza suave
a cada estaçao da vida
vazio de gente, preenche de sonhos comum e acontecer o contrario
que resulta em fato lamentavel
nesse caso a ordem dos fatores
falsifica as copias certificadas
tao dificil ver tudo isso e continuar
com sorriso diplomatico
como escarnio ou vomito
nesse grande lixao da esfera
esbarrei um dia em gama de Huxley
em uma das estaçoes-industria
reconheci-o imediatamente e sorri
vendo-me no passado em imagem
a vida espelho de nos mesmos
uns do presente uns do passado
muitos se deseja transfigurar