nas tardes de modorra e languidez
ouço voz reprovatoria ao longe
fujo de ecos milenares esgotados
cantados, trovados, versificados
amaldiçoados pelo humano
nao quero ouvir musa bebada
nem esculpida pela pedra
vai medeia de mil cabeças
afrodite condenou aracnes
por ter beleza preterida por mortal
helena fugiu do seu rei
pela eleiçao do amor de paris
sendo aranha poetizou suas tramas
nunca pensou em mortalha
como a outra prisioneira penelope
digna segue na tecelagem da vida
nem moira, fada ou bruxa
a pequena deusa acordou um dia
continuou o que fazia de melhor
trançar, tramar, rodar e amar
na demencia de uma era morta
e ao longe os caes rigozijam-se
com os restos colhidos da estrada
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