A paz dos loucos surge depois de nenhuma conquista quando todas as supostas derrotas tiverem sido colocadas e retiradas dos ombros. Quando a brisa, o frio, o calor, o vento e a chuva caminharem no mesmo curso das utilidades e confortos do mundo físico e biológico e sejam, de fato, a melhor premiação em vida saudável.
Ela pode advir do conforto raro de noite bem dormida enquanto o mundo se estatela na noite.
E ela é sombria podendo ser longa.
A paz pode vir da aproximação e acareamento do selvagem e do docilizado. Entes recorrentes na cristalização de personalidades oriundas de planos de educação do pós Segunda Guerra para países emergentes, leia-se colonizados e com forte potencial genético suicida mesclado ao do colonizador.
Pode vir das batalhas milenares interclassistas diárias e inconscientes que aparecem como máscaras rudimentares que tentam (e muitas vezes conseguem) proporcionar o distanciamento de objetivos simples como aprender, amar e voltar para casa.
A paz pode vir da consciência de que as relações vieram inscritas no mundo com um forte teor arrivista sedimentado em odiosos preconceitos históricos sem embasamentos técnico-científico. E por isso, quando possível e detectável, interromper as réplicas do mundo agonizante, que não se sabe o que lhe fez mal, evitando turbulências desnecessárias seja a melhor ação, o não fazer.
E a paz pode vir do retorno do mergulho no inferno
- do latim, infero, inferior, de baixo. As profundezas do onto e suas implicações sócio- políticas no tempo e espaço.
A paz envolve disputas, desentendimentos, obstáculos e dificuldades. Guerras, conflitos, confrontos, bloqueios e invasões são frutos da errante caminho e ambições humanas. Fogos de artifício e minas de riquezas, os primeiros distração para ingénuos e beligerantes, a segunda ferramenta de captação de recursos, sobretudo minerais e hidrocarbonetos, além dos humanos.
A paz envolve a depuração daquilo que se apresenta porque o conhecido, o propalado e jogado aos ventos soa tão débil e frágil como verdades perfeitas e eternas.
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