quarta-feira, 7 de junho de 2017

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E se eu não largar o velho, como o íntimo ou o original pode vir? Não, não estava pensando em Jesus, Allah, nem tampouco em qualquer deus ou divindade. Estava pensando em como poderia parar de repetir tantas verdades perfeitas, todas sem exceção, donas absolutas da verdade. Aquelas que nos deparamos repetindo mentalmente, sem sequer questionar, como papagaios que têm uma longa memória para poucas sentenças.

Outro dia um desconhecido, no meio da calçada, enquanto manobrava com a bicicleta cuidadosamente, disse-me, sorrindo, “Bom dia!” e, surpreendido por raríssima espontaneidade, sorri e respondi. Sai daquele momento pensando que aquele sujeito, de quem nem me lembro o rosto e provavelmente nunca mais vá encontrar, estava de “bem com a vida”.                       
Continuei matutando alguns segundos, mas, enfim, tinha via disponível para pedalar e montei seguindo de volta para casa.                                      
Lembro apenas, que cheguei à conclusão apressada de que a vida tem muitas perspectivas ou janelas, depende de qual ou em qual se quer posicionar, e por quantas se passa até adotar uma “definitiva”’.                                     
Talvez, penso agora, ele não se tenha paralisado na contemplação da automatização das relações, tipo, robô. E, não se sabe se a janela escolhida é a permanente, se é que se pode afirmar isso, quando a rotação, a translação e tudo no mundo nos precede.

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