domingo, 19 de outubro de 2014

Mundo

Eu acordei o mundo
Ele ficou assustado
Tão habituado estava
Ao seu sono profundo
O mundo era meu quintal
Depois expandi uns muros
Adiante mais um bairro
Um dia atingi a cidade
Assim avancei mais alfândegas
Atravessei pequenas fronteiras
Quando na verdade
A única que deveria ultrapassar
Estava dentro de mim
Esse é o mundo abalado
Atingido na profundidade de sua crosta
Não há tanto magma para jorrar
Há a fonte pulsante e assustadora
Pronta para sintonizar em ondas no ar
Esse é o mundo que conheço
Mundo limitado, mundo mudo
Nada a comunicar, só a mostrar
Estou aprendendo a ouvir
Naquilo que vejo ao redor
E ver o som dos movimentos
Tento falar com meu silêncio
Quase nunca consigo
Porque a verborragia
Atinge no subterrâneo
De meu pequeno mundo


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