sábado, 6 de dezembro de 2014

Grutas no caminho

Quando penso na palavra gruta,
Sempre lembro a dos índios
Sem contar que não é comum
Sequer usual ou aceitável
Enfim, quando criança
Tudo se aceita, enfeita e eufemiza
Nasce-se de pé de couve ou se é trazido
No bico de uma cegonha forte e alegre
Que entrega na casa certa, de sua mãe
Assim, quando entro em minha gruta
É impossível não entrar no universo subjetivo
A gruta que abriga da luz, frio, calor e chuva
Que abriga e acalenta projetos, rebentos e concertos
A gruta também nasceu de um jardim, de lá vieram
Todos os talentos que nos acompanham, vitais,
Como a mineralização da rocha o é para a geologia
A morfologia das vozes que foram se afinando num Augusto
Colosso talento ou na voracidade dos Bobs com seus mundos próprios
Das tantas, Fernandas, Meires, Raquéis, Lucianas e Ricardos, bedéis
Da cultura que se amalgama numa Companhia de corpos, nômades em seu cansaço
Se agrupam em muitos coletivos, no jardim de Tharcila onde tudo germinou
A gruta saiu da crosta da terra e floresceu também em castelos e cursinhos
A gruta criou pernas e agora engatinha pelo mundo das paredes de giz, dos dry walls
A gruta agora se reconfigura num outro coletivo que abriga e se veste de mil aves dançando
E rasgando o céu, aterrissam à entrada da gruta com seus cantos e gorjeios orquestrados
Essa gruta tornou-se palco que se torna pequeno para a expectativa em torno dela, por isso dela muitos saíram
Às vezes passeiam na Augusta com as pimentas do crente andarilho que vai à meca dos mercados
Direitos, esquerdos, anjos tortos, perigosos, daqueles que deus desaconselhou a criar, todos saíram da gruta
Da garganta do mundo com todas as secreções minerais das estalactites e estalagmites, brancas, coloridas
Espadas que armam as vozes que ecoam da boca da gruta que se torna o lar dos poemas, corpos e cantos

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